quarta-feira, 20 de maio de 2009

PATO (Nilto Maciel)

No lago manso

nadando vai.

Parece ganso

sem mãe nem pai.

Busca comida,

metendo o bico

n’água corrida.

Seu jeito rico

de olhar o mundo

lembra Carlitos

– o vagabundo.


Nilto Maciel nasceu em Baturité, Ceará, em 1945.
Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 70.
É editor da revista Literatura desde 91.
É autor de Itinerário (contos, 1974); Tempos de Mula Preta (contos, 1981); A Guerra da Donzela (novela, 1982);
Punhalzinho Cravado de Ódio (contos, 198); Estaca Zero (romance, 1987); Os Guerreiros de Monte-Mor (romance, 1988);
O Cabra que Virou Bode (romance, 1991); As Insolentes Patas do Cão (contos, 1991); Os Varões de Palma (romance, 1994);
Navegador (poemas, 1996); Babel (contos, 1997); Panorama do Conto Cearense (ensaio, 2006) e A Leste da Morte (contos, 2006).
Tem contos e poemas publicados em esperanto, espanhol, italiano e francês.
O Cabra que Virou Bode foi transposto para a tela (vídeo), pelo cineasta Clébio Ribeiro, em 1993.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O grilo, a traça e o tigre (Maria da Graça Almeida)


Tremula o trigo
entre os grilos,
o grilo trila,
assusta a traça,
ela tropeça,
ele acha graça,
tropeço de traça
só traça não gosta,
tropeço de traça
é cheio de graça!

Da traça, o susto
espanta o tigre,
que sob as trevas
transita nos trilhos,
nos trilhos do trem
que rápido vem,
que vem do além,
trazendo alguém,
que troça da traça,
do tigre e de quem
travou sua língua,
tremendo também!


(Do livro: A graça que o bicho tem de: Maria da Graça Almeida)


Maria da Graça Almeida

Nascida em Pindorama- São Paulo.
Escritora, poetisa, professora, pedagoga e formada em Educação Artística.

Obras Físicas Publicadas:

Espelho, Poesias Sem Mistério, A Graça que o bicho Tem, Que traça sem graça,
Mitos do folclore, A Menina da janela, O Cuco Maluco,
O besouro doente, Olhos espertos


E-mail: ma.gla@uol.com.br

AS ESTRELAS DO CÉU (Marlene B. Cerviglieri)


Assim tão de repente, ela viu a porta do quarto ser fechada. Sentou-se na cama e vagarosamente começou a vestir a linda camisolinha, toda cheia de babados.
Seus cabelos loiros reluziam a luz do luar que entrava através da janela entreaberta. Pôs os chinelinhos foi até a cadeirinha a na frente da cômoda, e pegou seu lindo urso. Abraçada a ele, sentou-se na cadeirinha e então começou a conversar;
- Oi Eric, ainda não estou com sono, e você?
-Também não. - respondeu o urso feliz de estar colo da Nana. Assim a chamavam carinhosamente todos da família.
- Fico pensando que as estrelas são lâmpadas do céu.
- E a Lua o que é? Perguntou Eric.
- Bem a Lua eu acho que deve ser a lâmpada maior na rua onde Jesus mora.
- Mas por que na rua onde Jesus mora a lâmpada é maior? perguntou Eric.
- Ora, se todos nós vamos morar com ele uma dia, a casa dele é muito grande e precisa de lâmpada grande!
- É, pode ser mesmo. - concordou Eric.
Ainda olhando para o céu, Nana diz:
- As nuvens são os carrinhos que levam a gente. São tão diferentes...
- Veja Eric, como as lâmpadas estão piscando e parece que uma caiu.
- Veja, a Lua está pela metade.
- Chii, não estou acreditando na tua estória não...
Disse Eric arregalando os olhos para o céu.
- Pode ser que tenha estragado a luz, ora, até aqui em casa isso acontece!
- Sabe de uma coisa Eric, vamos ficar na janela, quem sabe poderemos dar um passeio até lá e ver de pertinho todo o céu!
Olhando firme para o céu, Nana disse:
- Veja Eric, são tantas as luzinhas, gostaria de ter uma só para nós.
Nisto, descendo rapidamente do céu, a estrelinha chegou até Nana e Eric, no parapeito da janela.
- Veja, Veja! Disse Eric entusiasmado. Nana imediatamente estendeu a mãozinha e pegou a luzinha que piscava muito.
Foi para a cama e sentou-se no meio dela. Antes colocou o Urso sentado no travesseiro pois assim ele ficaria mais alto.
- Veja Eric como brilha!
De repente parou de piscar.
Um clarão encheu a cama de Nana e, de uma portinha da estrela, saltou uma menina bem pequenina.
- Puxa é menor do que eu. - pensou Eric.
- Minha Nossa! Exclamou Nana assustada.
- Não se assustem - disse o ser pequenino.
- Meu nome é Érica, você me chamou - disse olhando para Nana - Eu vim!
- Mas você não é lampadinha? perguntou Nana.
- Não sou lampadinha. - disse Érica.
- Você mora no céu? perguntou Eric
- Isso mesmo, lá em cima.
- Ah então conte pra gente como é lá em cima.
- Bem, agora a noite todos estão dormindo como vocês deveriam estar.
- E as estrelinhas são lampadinhas das ruas como pensei? Perguntou Nana aflita por querer saber tudo.
- São. - disse Érica. Nossas ruas são todas iluminadas e muito limpinhas.
- Eu não disse, Eu não disse. - repetia Nana toda contente.
- Me diga uma coisa. - Disse Nana muito séria.
- Por que às vezes faz um barulho grande e chove bastante?
- Porque lá em cima e tudo muito limpo, e todos lavam as ruas. Jogam água nas flores, na grama e, às vezes, cai um pouco aqui também.
- Mas e o barulho? - perguntou Nana,
- É, e o barulho? repetiu Eric.
- São trombadas. Vocês nunca ouviram o barulho de uma trombada?
- Sim. - disseram os dois.
- Pois então, bate uma nuvem na outra e, às vezes, a trombada é tão forte que sai faísca.
- Érica, e a casa de Jesus, você conhece?
- Não, não conheço.
- Ora não é a maior de lá? Perguntou Eric espantado.
-Ouçam bem vocês dois. - respondeu Érica.
- Jesus não mora no céu.
- Não!? Disseram os dois ao mesmo tempo.
- Não. - repetiu Érica.
- ELE mora dentro de nós e está com a gente o tempo todo em nossos corações.
- Você quer dizer que Jesus mora dentro de nós, Érica? Onde? - perguntou olhando para si mesma surpresa.
- Já disse, no seu coração. - repetiu Érica.
- No meu coração. - disse Nana levando a mão ao peito.
- É isso mesmo, vejo que entenderam.
- Agora vou voltar que já é tarde.Vamos dormir, outro dia voltarei e contarei mais.
A porta do quarto foi aberta bem devagar. Era a mamãe que vinha para dar boa noite a Nana.
- Vejam só dormindo com a janela aberta!
- Veja só, o Eric sentado na janela!
Colocou o urso na cadeira, beijou a menina que dormia e saiu de mansinho.
Eric se ajeitou na cadeira e pensou;
- Quem sabe amanhã Érica volta e nos conta mais coisas do céu.
Colocou a mãozinha no coração, fechou os olhos e pensou:
- Vou cuidar para que eu mereça que ELE sempre more em mim...



Marlene B. Cerviglieri
Nascida em Santo André, São Paulo, Brasil.
Pedagoga, Psicóloga, Escritora de contos, poesias e livros infanto-juvenis.
Dedica-se até hoje a estudar as crianças e suas emoções.
Tem proferido palestras com temas atuais, acompanhadas, de dinâmica de grupo e relaxamento. Na cidade de Santo André atuou como Conselheira de Cultura da Prefeitura e Presidente do grupo de escritores GESA.
Seus trabalhos são divulgados em diversos sites.
Site infantil: http://www.contos.poesias.nom.br/historiasinfantis/historiasinfantis.htm
E-mail: mcerviglieri@yahoo.com.br

O GATO DO CANTO (Odete Ronchi Baltazar)

É peludo?__Nem sempre...
Às vezes, é pelado
porque vive abandonado.
É vadio?__Quase sempre...
Com preguiça,
vive sempre enroscado.
É sujinho?__Nunca!
Asseado, passa a língua
do focinho ao rabo.
É dengoso?__Toda a vida.
Sem peixe,
fica logo emburrado.
Sabes de quem falo?
Se não é de ti, menino,
só pode ser do gato!



Odete Ronchi Baltazar, ou odeteronchibaltazar como é conhecida na internet, nasceu em Rio Maina, Município de Criciúma, Estado de Santa Catarina em 1953.
Atualmente reside em Florianópolis.
É formada em Língua Portuguesa, com especialização em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Publica seus trabalhos em sites, blogs, e-books e Antologias que saíram do virtual e foram para o mundo real.
Publicou o livro solo "Só Poesia" em maio de 2006, pela Editora da AVBL.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

PIRILAMPOS (Valéria Nogueira Eik)


Deus estava muito contente naquele dia.
E quando se sentia assim, gostava de cuidar dos jardins do céu.
Lá, a terra era branquinha e macia, muito parecida com algodão.
Pois Ele foi até a estufa, onde cultivava flores raras e luminosas, e pegou algumas sementes muito especiais.
Voltou ao jardim, todo saltitante e feliz, e passou a semear estrelas.
Estava realmente alegre e seus pensamentos estavam cheios de idéias para deixar o Universo ainda mais bonito.
E eram tantas as idéias que Ele se distraiu e deixou cair sementes de estrelas que foram parar na Terra.
Por uns dias, nada aconteceu.
Mas, de repente, as estrelas germinaram.
E que surpresa!
Elas voavam baixinho levando a sua luz de um lado para o outro.
A noite estava encantada com tamanha beleza.
As pessoas olhavam para as estrelinhas e não conseguiam acreditar no que viam.
Então, resolveram capturá-las.
Gente tem mesmo esse costume esquisito: vê com as mãos e não com os olhos!
E foi o que fizeram.
Pegaram muitas estrelas e colocaram dentro de um vidro com a tampa furadinha e levaram para casa.
As crianças estavam muito alvoroçadas e até escolheram um nome para as estrelinhas.
E assim, as estrelas que Deus deixou cair lá do céu, passaram a se chamar Pirilampos ou Vagalumes.
Todos apreciaram aquela maravilha da natureza até o sono chegar, e então, foram dormir.
No dia seguinte, que tristeza! Os Pirilampos estavam mortos!
Ninguém entendia porque eles tinham morrido.
Chamaram o homem mais sábio da cidade para desvendar o mistério.
E ele, depois de muito pensar e analisar a questão, falou para todos:
- Essas estrelas, que vocês chamam de Pirilampos, vieram para nos ensinar que a liberdade é o nosso bem mais precioso. Sem liberdade não há luz, sem luz não existe sabedoria e sem sabedoria, a felicidade se torna tão inatingível quanto as mais distantes estrelas do céu!
A partir daquele dia, os Pirilampos puderam voar livremente, enfeitando as noites e os sonhos de toda a gente da Terra.


Valéria Nogueira Eik
Fotografias, histórias infantis, crônicas, poemas e contos publicados em vários sites literários. Editora da revista de literatura e arte Conexão Maringá http://www.conexaomaringa.com

MONOTONETO (Bartolomeu Correia de Melo)


Para Anna
Alegre tarde azul, quase menina,
de riso morno e brisa matinal,
feita de luz e cheiros de resina,
invade, brincalhona, meu quintal.

Cochichando nas folhas, ela ensina,
às flores, cantiguinhas de pardal
e, num dengoso jeito de traquina,
vai cirandar nas roupas do varal.

Persegue as borboletas... Nem atina
que enfeita um mundo nada cordial,
azedo de fumaça e de buzina;

que a rede embala versos e, afinal,
com seus louros minutos, ilumina
meu sonho preguiçoso mais banal.


(Recife - Setembro/1974)



Bartolomeu Correia de Melo
É graduado em Farmácia (UFRN), com pós-graduação em Físico-química (UFPE e USP).
Escreveu trabalhos científicos e pedagógicos, publicados em revistas especializadas, nacionais e estrangeiras.
Seu livro de estréia - "Lugar de estórias" foi laureado com o prêmio Joaquim Cardozo/1977, da União Brasileira de Escritores.
Em 2002, publicou nova coletânea - "Estórias Quase Cruas" Edições Bagaço, Recife.
E-mail: bartolomelo@supercabo.com.br

PRECE DA CRIANÇA (Ivone Boechat)


Senhor,
estou muito assustado,
estão nos fazendo medo,
fico até cansado de pensar
um jeito de proibir os adultos
de matar os passarinhos,
de acabar com os rios,
de poluir os mares.
Tudo que o Senhor fez é tão bonito,
até me irrito,
quando vejo guerras
dominando alguns lugares.
Quero sonhar
com uma escola feliz,
com professores sorrindo,
e uma nota que dê para passar...
É isto que sempre quis...
Ah! Quero minha família unida,
segurança pra brincar na praça,
a imensa graça, de dormir,
sabendo que se há alguém na rua
vai poder voltar.
Amém.

Ivone Boechat
Natural do Estado do Rio.
Membro da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes de Duque de Caxias-RJ.
Consultora em Educação.
E-mail: i.boechat@terra.com.br

VIDA DE CACHORRO (Braz Chediak)


Quando morreu, ao chegar ao céu dos cachorros, o vira-latas Lulu - que todos chamavam de Lu - protestou:
- Ora, isso não tá certo. Deus puxa a brasa pra sardinha dos homens. A vida deles é muito melhor...
São Pedro que, como todo bom porteiro, é atencioso, tentou explicar que não era bem assim, mas o vira-latas mostrou-se irredutível.
O bom velhinho então, consultando seu computador, viu que estava havendo um parto na terra, numa cidadezinha chamada Três Corações, e propôs ao implicante que voltasse para nosso mundo como gente e, assim, quando morresse poderia vir para o céu dos humanos.
O vira-latas aceitou.

Lúcio da Silva - que todos chamavam de Lu - nasceu às 4,30 da tarde, na Rua da Cotia um bairro grande, na entrada da cidade, e, nem bem abriu os olhos, foi dependurado de cabeça pra baixo e levou um tremendo tapa na bunda.
Quis latir, protestando, mas o que conseguiu foi soltar um berro esquisito, semelhante a um instrumento desafinado: “Uuaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh....”
Em seguida enfiaram-lhe numa bacia e, enquanto ele se esgoelava aflito, a família toda se aproximou falando coisas incompreensíveis: “É a cara do pai..”, “É a cara da mãe...” e uma tal de Tia começou a passar os dedos em seus lábios, dizendo: “Bilú, bilú, bilú, ne-néééémmm...”
E, por mais que ele gritasse, protestando, ninguém compreendia e não o deixavam em paz. “Isso é só no começo”, ele pensou, “depois melhora”. Mas não melhorou.
No dia seguinte um homem a quem chamavam Pediatra, acendeu-lhe uma lanterninha na boca, arregalou-lhe os olhos, mexeu em seus ouvidos, disse que tinha que fazer teste do pezinho, vacinar contra isto, contra aquilo e, como se não bastasse, enfiou-lhe goela abaixo um líquido horroroso...
Pouco tempo depois começou a andar como estava acostumado: nas quatro patas.
Mas, não sabia por que, chamavam aquilo de engatinhar.
Quis protestar, nunca se dera bem com gatos, não aceitaria aquela ofensa, mas conseguiu apenas balbuciar um hhhaaaannn!!!!, que fez a tal Tia dar um grito:
- Ele ta começando a falar. Meu Deus, que gracinha...
E foi um corre-corre. A desgraçada pegando-o no colo, jogando-o para cima: “Fala titi...titi... titi-a-a-a-a-a-a!!!
Mas não era só isso: a mãe o obrigava a comer uma papa horrível enquanto suspendia a colher e dizia: “hhhhoooonnnnnn... olha o aviãozinho, olha o aviãozinho”. E tome comida, tome vitaminas, e não pode andar descalço, e sai da chuva, e sai do sol , não sobe na janela, não se esconda embaixo da mesa, e já pra casa, cê ainda é criança pra brincar na rua...

Quando cresceu arrumou emprego num banco. Ficava o dia inteiro contando dinheiro - muito dinheiro - e no fim do mês recebia uma mixaria que não dava nem pra pagar as contas. Sim, pois os humanos viviam cheios de contas para pagar. Era aluguel, prestação, luz, gás, telefone, impostos, padaria, açougue e etc., etc., etc., etc.
Um ano depois casou-se, alugou casa na periferia e... as contas aumentaram. A mulher, que antes era tão compreensiva, começou a tratá-lo da mesma maneira que sua mãe o tratava quando criança:
- Não suja o chão! Vai comprar leite, varre o quintal, vê se o feijão não ta queimando...Cê não acha que tá muito marmanjo pra ficar na rua?????
Lu teve filhos, enfrentou desemprego, brigou e desbrigou com a mulher que vivia lhe martelando os ouvidos:
- Toma conta das crianças. Tem que pagar o açougue, tem que consertar o fogão, a privada tá quebrada, a pia tá pingando....
Os filhos cresceram, se casaram, e diziam: “Toma conta dos seus netos, nós vamos sair...”
E a mulher: “Sai da rua, cê tá muito velho pra ficar no sereno...”
E os netos: “olha o cabelo dele que belezinha, tá branquinho... bilú, bilú, bilú... vovôôôôô......” “Meu Deus - ele pensou, vendo um cachorro virando uma lata de lixo na calçada em frente - será que os animais passam por tanta amolação?”
Como não gostava de sujeira, atravessou a rua para espantar o cãozinho, sentiu um pontada, uma dor aguda no peito e... pumba. Caiu.
Foi socorrido pelos vizinhos, mas nada adiantou. Morreu de infarto.
Quando chegou ao céu, Lu foi conduzido ao tal paraíso dos humanos, cheio de anjos, de homens, de mulheres, de adolescentes, de crianças... “Credo, será que vai ser tudo igual?”, pensou.
Logo, logo começou a tremer, sentir pavor, segurou na barba de São Pedro e protestou gritando: - Nada disso. Aí, não, pelo amor de Deus. Nada de gente perto de mim. Quero ir pro céu dos cachorros. Lá pelo menos tem postes, muitos postes, onde vou poder erguer minha perna e mijar. Mijar a vontade. Quero mijar pra essa tal de humanidade!!!!
Olhou para baixo, viu a confusão na terra, levantou a perna e soltou o xixiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, sentindo uma grande felicidade.

Braz Chediak é cineasta. Entre outros filmes dirigiu NAVALHA NA CARNE (1ª. versão), DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA ( 1ª. versão) e BONITINHA MAS ORDINÁRIA. Participou da antologia CRIME FEITO EM CASA, organizada por Flávio Moreira da Costa. Escreve crônicas para diversos jornais e sites.

LANÇAMENTO: POESIAS INFANTIS DE BILAC

A OBRA

Nessa obra o poeta explorou temas que não perdem a atualidade como o amor, a natureza, a família e o tempo, usando o humor e a dedicação para falar de fatos comuns da vida, despertando na criança, no jovem ou no adulto o riso e a reflexão, inclusive sobre temas como o racismo, a religião e a pobreza.
Bilac conta histórias e desperta nossa atenção para cenas banais, mas que o seu olhar descobre uma beleza que nos conquista logo na primeira leitura.
Este livro esteve ausente das livrarias e bibliotecas durante décadas. Na época em que foi publicado, em 1904, conquistou leitores de todo o Brasil, e teve inúmeras reedições. O livro apresenta ilustrações magníficas. É uma verdadeira redescoberta!


“Bilac é o malabarista mais genial do verso português. Outro nenhum existe que se lhe compare na língua.”
(Mário de Andrade)


O AUTOR

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1865, foi jornalista, escritor, autor da letra do “Hino à Bandeira”, e participou ativamente na campanha para melhorar a educação brasileira. O seu nome, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, segundo alguns críticos, era um perfeito verso alexandrino. Escreveu poemas que se tornaram genuínos clássicos da nossa literatura como Via Láctea, O caçador de esmeraldas e A última flor do Lácio. Em 1913, foi eleito o “Príncipe dos poetas brasileiros”. Faleceu em dezembro de 1918, consagrado como um dos maiores poetas do Brasil.

Título: Poesias Infantis
Autor: Olavo Bilac
Ilustrações: Lu Martins
Org.: Jorge Henrique Bastos
Editora: Empório do Livro
ISBN: 9788586848094
Pgs: 96
Formato:16x23
Preço de Capa: R$ 40,00


E-mail para contato: jorgeemporiodolivro@uol.com.br

quinta-feira, 7 de maio de 2009

FUGA (Carlos Pessoa Rosa)

lá vai
em ruas de terra
o gato
que marca a casa
da velha
de rabo preso
e raiva
presa no gato
lá vem
em ruas de terra
o gato
preso na raiva
da velha
de rabo preso
e pelo
todo eriçado
na pressa do poema


Carlos Pessoa Rosa
Publicou "A cor e a textura de uma folha de papel em branco", prêmio UBE/CEPE, Contos, 1998; "Destinos de Vidro", contos premiados; "Mortalis: um ensaio sobre a morte", ensaio, prêmio Xerox/Ed. LivroAberto; "Não sei não..." e "Sobre o nome dado", Coletivo Dulcinéia Catadora.
Editor do site
http://www.meiotom.art.br/

O SAPO (Odete Ronchi Baltazar)

Olhe o sapo
pula aqui
pula acolá.
Nos dois pés,
nas mãozinhas,
ou num pé só.
Coitadinho deste sapo
é tão feio de dar dó.
Salta longe,
pirueta,
dá um susto,
faz um nó.
Nesta lida,
engraçada,
o sapinho,
tão feinho,
conquistou-me
um sorrizinho...
amarelinho.
Mas, ó seu Sapo,
fique atento!
Se pular
perto da vovó,
tão medrosa,
coitadinha,
pode crer,
seu sapinho,
ocê vai virar pó.


Odete Ronchi Baltazar, ou odeteronchibaltazar como é conhecida na internet, nasceu em Rio Maina, Município de Criciúma, Estado de Santa Catarina em 1953.
Atualmente reside em Florianópolis.
É formada em Língua Portuguesa, com especialização em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Publica seus trabalhos em sites, blogs, e-books e Antologias que saíram do virtual e foram para o mundo real.
Publicou o livro solo "Só Poesia" em maio de 2006, pela Editora da AVBL.
Seus sites pessoais:

O FILHO DO MEIO (Maria da Graça Almeida)

(Do livro Olhos Espertos)



Assim tão bonito...
e ninguém me adula!
Não sou o primogênito,
nem sou o caçula.
Não sou o primeiro,
tampouco, o terceiro.
Sou filho do meio e,
de graça, sou cheio
Do tal sanduíche,
sou só o recheio.
Mas...digo a verdade
e ganho a aposta:
sempre é do recheio
que todos mais gostam!

Maria da Graça Almeida
Nascida em Pindorama- São Paulo.
Escritora, poetisa, professora, pedagoga e formada em Educação Artística.
Obras Físicas Publicadas:
- Espelho
- Poesias Sem Mistério
- A Graça que o bicho Tem
- Que traça sem graça
- Mitos do folclore
- A Menina da janela
- O Cuco Maluco
- O besouro doente
- Olhos espertos
E-mail: ma.gla@uol.com.br

TIC TAC DO RELÓGIO (Marlene B. Cerviglieri)

O Tic Tac
Vou ouvindo
São as horas
Que passando
Uma a Uma,
Vão tocando!
Bate uma!
Bateu duas
Batem três!
Ainda para as Seis,
Faltam três!
Não esqueci das Quatro
Nem das Cinco!
Tic tac
Vou ouvindo.
Sete horas
Oito Nove e Dez e as
Onze escondidas!
Para as Doze?
Uma retida.
São as horas passando
No relógio
Vão batendo
Tic Tac... Tic Tac...


Marlene B. Cerviglieri

Nascida em Santo André, São Paulo, Brasil.
Pedagoga, Psicóloga, Escritora de contos, poesias e livros infanto-juvenis.
Dedica-se até hoje a estudar as crianças e suas emoções.
Tem proferido palestras com temas atuais, acompanhadas, de dinâmica de grupo e relaxamento.
Na cidade de Santo André atuou como Conselheira de Cultura da Prefeitura e Presidente do grupo de escritores GESA.
Seus trabalhos são divulgados em diversos sites.
Site infantil:
http://www.contos.poesias.nom.br/historiasinfantis/historiasinfantis.htm
E-mail: mcerviglieri@yahoo.com.br